Compaixão
Não deveria haver uma câmera naquele hospital.
Eu sabia disso.
Mas havia algo ainda mais importante do que o silêncio das regras: o grito daqueles que já não tinham voz.
Por isso gravei.
Não para mostrar imagens.Mas para revelar uma realidade que o mundo não pode continuar ignorando.
A jovem que você vê conversando com os sobreviventes é Ada.
Nestes dias, ela se tornou como uma filha para mim. Caminhamos juntos entre corredores de dor, oferecendo o pouco que temos, mas entregando tudo o que está em nosso coração: esperança, cuidado e amor.
Por favor, ouça este clamor.
Hoje vivi um dos dias mais dolorosos da minha vida.
Há sofrimentos que nenhuma palavra consegue traduzir.
Há lágrimas que nenhum texto consegue contar.
E há feridas que só podem ser vistas por quem decide permanecer ao lado de quem sofre.
Foi isso que encontrei em Caracas.
O terremoto derrubou prédios.
Mas o abandono continua derrubando vidas.
Vi idosos esquecidos.
Vi homens e mulheres que perderam braços, pernas e sonhos.
Vi adolescentes tentando encontrar forças para continuar vivendo quando tudo lhes foi arrancado.
Nos olhos de muitos já não havia perguntas.
Havia apenas um silêncio profundo...
Um silêncio que gritava.
Cada quarto daquele hospital parecia carregar uma história interrompida.
Cada corredor parecia pedir socorro.
Cada rosto parecia perguntar:
"Será que alguém ainda se importa conosco?"
Na ala infantil, meu coração quase não suportou.
Crianças lutando pela vida.
Pais desesperados, sem dinheiro para comprar um simples medicamento.
Enquanto uma criança espera por um remédio, o tempo não espera.
Enquanto alguém adia uma decisão de ajudar, outra família continua chorando.
Por alguns instantes, parece que o mal está vencendo.
Parece que a indiferença fala mais alto do que a compaixão.
Mas eu me recuso a acreditar que esta seja a última palavra.
Ainda existe esperança.
Enquanto existir alguém disposto a amar.
Enquanto existir alguém disposto a repartir.
Enquanto existir alguém disposto a agir.
Por isso, eu lhe peço:
Ajude-nos.
A morte continua caminhando silenciosamente pelos quartos daquele hospital.
Mas o amor também pode entrar por aquelas mesmas portas.
Cada doação pode transformar desespero em esperança.
Cada gesto de generosidade pode significar uma vida preservada.
Cada oração pode fortalecer quem já não consegue mais caminhar.
Compartilhe esta mensagem.
Leve este clamor aos seus amigos, familiares, igrejas, empresas e a todos aqueles que ainda acreditam que uma vida vale qualquer esforço.
Quanto mais pessoas ouvirem este apelo, mais vidas poderão ser alcançadas.
O mal nunca vence quando a compaixão decide agir.
Enquanto Deus me conceder forças, continuarei caminhando por aqueles corredores.
Continuarei levando alimento onde há fome.
Medicamentos onde há dor.
Esperança onde o desespero tentou fazer morada.
E amor onde o abandono deixou marcas profundas.
Farei tudo o que estiver ao meu alcance para preservar vidas.
Peço apenas uma coisa:
Leia estas palavras mais uma vez.
Talvez, na segunda leitura, você consiga sentir um pouco da dor que meus olhos testemunharam.
Ainda assim...
Nenhuma frase consegue descrever completamente o sofrimento que vi.
Porque a tragédia não terminou quando a terra parou de tremer.
Para milhares de sobreviventes, ela recomeça todas as manhãs.
Mas existe uma força maior do que a destruição.
A compaixão.
E quando a compaixão encontra mãos dispostas a servir, vidas são salvas.




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